sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Silêncio

Chego em casa quase que correndo em desespero. Subo as escadas do conjunto onde moro e chego quase tropicando no meu apartamento, o 23B. Abro a porta e sinto o ar preencher meus pulmões e aquela sensação claustrofóbica indo embora.

Não há mais sons, vozes, conversas, pessoas. Nada. Só eu mesmo; Aqui e agora.

Ando pelo corredor da entrada enquanto deixo a música do silêncio aquecer o meu corpo e revigorar o meu espírito.

- Olá – Diz “ele”, sentado ao sofá. Sou eu lá, porém usando uma máscara branca cobrindo meu rosto e utilizando sempre certo ar de deboche e sarcasmo.
- Oi – Respondo.
- Cansado?
- Muito.

Estou mesmo. Esses quatro dias me esgotaram, quando na verdade aos olhos de qualquer um deveriam ser revigorantes. Viajei com minha noiva e sua família. Foi divertido e aconchegante.

Para eles.

Perdi as contas de quantas vezes eu dizia que precisava ir no banheiro só pra poder ficar sozinho e gritar em silêncio. Até me recompor e reiniciar o ciclo masoquista.

- Por que você insiste nisso? – Pergunta meu outro eu mascarado.
- No que?
- Tentar se parecer com eles. Você sabe que você não é.
- Eu tenho que ser alguma coisa.
- Por que não pode ser você?

Touché.

- Porque não gosto da ideia da solidão.
- Você tem a mim. Por que não pode ser eu, então?
- Não sei se estou preparado ainda.

Ele se levanta e se aproxima.

- Preparado pra ser eu?
- Não, para deixar de ser eu. 

E finalmente fiquei sozinho.
 

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